Nós, seres humanos, únicos animais racionais da natureza, ainda não temos ideia do verdadeiro sentido que a vida tem.
Alguns buscam respostas nas religiões e em toda aquela doutrina que discorre sobre outro plano existencial, vida após a morte e um sem-número de teorias, sendo que, boa parte delas, se apoia no pressuposto de que a morte não é o fim, é apenas uma parte da história.
A ciência, apesar dos inúmeros avanços feitos, principalmente nos últimos anos, ainda não possui uma teoria definitiva sobre tão complexo tema. As teorias evolutivas eclodem aos montes.
Mas não quero ir tão longe. Tenho minha própria teoria, que não é novidade aos que leem este blog há algum tempo. Mas não são as minhas teorias que quero abordar.
Meus pensamentos me levaram, hoje, ao trágico pensamento de como a nossa vida é frágil.
Você já parou para pensar quantas possibilidades de morrer fazem parte de nosso cotidiano? Se você, racionalmente, fizer uma análise sobre esse assunto, fatalmente sofrerá um ataque de pânico, já que as variáveis são infinitas.
Primeiro ato: acordamos de manhã, o que, por si só, já é considerada a primeira escapada da morte no dia, se pensarmos na possibilidade de que você poderia nem ao menos ter acordado. Muitas pessoas morrem a noite enquanto dormem. Não tenho dados estatísticos a esse respeito, mas tenho a nítida impressão de que a maioria das mortes de causas ditas naturais, ocorrem após a chegada da noite.
No decorrer do dia, você atravessará a rua algumas vezes, entrará em elevadores cuja conservação pode ter sido negligenciada, passará por bueiros cheios de gás provenientes dos dejetos e que, por conta disso, poderiam simplesmente explodir.
Todos os dias precisamos nos alimentar e, eventualmente, nossa comida pode conter parasitas que causam doenças severas, ou contém itens que poderiam alojar-se na garganta, causando asfixia. Dirigimos nosso carro pelas vias, algumas vezes negligenciando a luz amarela de algumas sinaleiras, ou esquecendo-nos de olhar para os lados em um cruzamento.
Meus exemplos não chegam nem perto de esgotar as milhões de maneiras de morrer que podemos experimentar em nosso dia-a-dia. E depois disso, você ainda consegue se sentir em segurança?
Amanhã, ao sair de casa, pense seriamente na possibilidade de que, talvez, você possa não voltar. Portanto, não se apegue ao que não tem importância. Preocupe-se somente com problemas que você pode solucionar. Coisas sem solução, não deveriam ser motivo de preocupação.
Passamos quase a totalidade de nossa existência não vivendo de verdade. Vivemos uma vida de aparências, onde o que se tem vale mais do que quem se é. Brigando, irritados com o mundo. Mas convenhamos, é muito desperdício de tempo precioso de vida com questões tão pequenas, que não deveriam durar mais tempo que um piscar de olhos.
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sábado, 13 de julho de 2013
Teorias da morte
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Reinauguração do Araújo Vianna - Morte de Cássia Eller
Essa semana ocorreu a reinauguração do Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre. Acho sensacional que esta parte da história da cidade tenha sido resgatada - mesmo com uma demora de quase dez anos -, pois naquele local ocorreram fatos históricos, que não podem se perder, simplesmente, por culpa de sucessivos governos relapsos, que passaram pela prefeitura.
Aos que não sabem, o "Araújo" nem sempre esteve ali, colocado na Redenção. Na verdade, o auditório original foi construído na Praça da Matriz, ao lado do Teatro São Pedro, onde hoje está localizada a Assembléia Legislativa do Estado. Apenas em meados da década de 60 é que o Araújo passou a situar-se no local atual, nas entranhas do Parque Farroupilha.
O auditório foi cenário de shows épicos, como de João Gilberto, Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso, dentre outros. Entretanto, o show que quero destacar foi a apresentação ocorrida em 30/09/2001.
Cássia Eller, considerada naquela época como a maior voz feminina em atividade, apresentou um show, que fazia parte de um projeto cultural da Petrobrás, onde fazia duetos com Negro-X e Nando Reis, apresentando boa parte de seu repertório, já nacionalmente conhecido na época.
Foi um show sensacional, com direito a "selinhos" em Nando Reis e a famosa "apresentação de tetas", que fez com que o público fosse ao delírio. Foi uma noite especial, onde posso dizer, sem sombra de dúvidas, que tive o prazer de assistir uma das maiores cantoras que já existiu na história da música brasileira.
Dois meses após este show, Cássia faleceu em decorrência de um ataque cardíaco. Na época, levantou-se a hipótese de que ela havia morrido por conta de uma overdose de cocaína, o que não se confirmou no laudo dos legistas. A música nunca mais foi a mesma.
E para lembrar:
Aos que não sabem, o "Araújo" nem sempre esteve ali, colocado na Redenção. Na verdade, o auditório original foi construído na Praça da Matriz, ao lado do Teatro São Pedro, onde hoje está localizada a Assembléia Legislativa do Estado. Apenas em meados da década de 60 é que o Araújo passou a situar-se no local atual, nas entranhas do Parque Farroupilha.
O auditório foi cenário de shows épicos, como de João Gilberto, Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso, dentre outros. Entretanto, o show que quero destacar foi a apresentação ocorrida em 30/09/2001.
Cássia Eller, considerada naquela época como a maior voz feminina em atividade, apresentou um show, que fazia parte de um projeto cultural da Petrobrás, onde fazia duetos com Negro-X e Nando Reis, apresentando boa parte de seu repertório, já nacionalmente conhecido na época.
Foi um show sensacional, com direito a "selinhos" em Nando Reis e a famosa "apresentação de tetas", que fez com que o público fosse ao delírio. Foi uma noite especial, onde posso dizer, sem sombra de dúvidas, que tive o prazer de assistir uma das maiores cantoras que já existiu na história da música brasileira.
Dois meses após este show, Cássia faleceu em decorrência de um ataque cardíaco. Na época, levantou-se a hipótese de que ela havia morrido por conta de uma overdose de cocaína, o que não se confirmou no laudo dos legistas. A música nunca mais foi a mesma.
E para lembrar:
sábado, 13 de março de 2010
A morte... Coisa chata pra burro!

Soube apenas hoje que o cartunista Glauco foi assassinado na madrugada de sexta, juntamente com seu filho que chegava ao local no momento da ação de ladrões que invadiram sua casa em Osasco, São Paulo.
Para os jegues de plantão, Glauco foi um dos mais importantes cartunistas deste país. Com tiras extremamente engraçadas, porém sempre engajadas em retratar as mezelas que assolavam o Brasil ná década de 1980.
Parece trote, mas o cara morreu pelas mãos de pessoas que são fruto da realidade contra a qual ele sempre lutou.
O Brasil perde mais uma pessoa que soube fazer a diferença para o bem. Vá em paz Glauco.
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Coincidentemente, hoje ouvi um texto escrito por Pedro Bial, que é uma pessoa que particularmente não gosto muito (outra hora explico porque). Apesar disto, tenho que tirar o chapéu, o texto é sensacional, vale a pena dar uma olhada:
"Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.
Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.
Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que e causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada,está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre.
Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas , mulheres e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida...
Perdoe....sempre!!!"
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