terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

No amor e na dor

Vocês viram o que está acontecendo no Espírito Santo? Barbaridade, não é? Mas, honestamente, tu achas que se a polícia simplesmente saísse das ruas na tua cidade, o cenário seria diferente? De antemão digo, sem qualquer medo de errar, que as coisas se desdobrariam da mesma forma.

O povo brasileiro daria um verdadeiro compêndio de antropologia de 100 volumes, no mínimo. Somos uma nação com um arcabouço legal imenso, quase impossível de ser contabilizado. Porém, se o braço do Estado não for incisivo na cobrança e aplicação destas leis, o povo se sente no "direito" de descumpri-las, pura e simplesmente. É uma verdadeira loucura a forma como nós brasileiros pensamos.

No Brasil, sentimos júbilo ao agir de forma contrária ao que prega a lei, ou mesmo normas sociais, aquelas as quais não estão escritas, mas que fazem parte do subconsciente de qualquer povo. Ser "fora da lei" é exaltado, e ser correto é objeto de ridicularização pública.

Além disso, temos uma outra classe de brasileiro, aquele que é o especialista em tudo. Economia, segurança pública, saúde, educação. Não há matéria da qual ele não tenha conhecimentos profundos. Discorre longamente sobre tudo, cheio de teorias mirabolantes e pré-conceitos embasados em frágeis argumentos. Já ouvi/li/assisti de tudo nesse país. Desde o muito usual "tem que matar mesmo!", ou a dicotomia dos manjados "coxinha" e "petralha", indo até o limite da loucura de ouvir que não se faz copa do mundo e olimpíada com hospital.

A lista é longa, porém, não me causa estranheza a forma de pensar do pessoal da "Terra Brasilis", afinal, somos tão fracos moralmente e pensamos de forma tão débil, que fazer uma comparação esdrúxula dessas é o menor dos problemas que temos.

Se quiséssemos que as coisas melhorassem, de verdade, investiríamos todos os recursos na educação. Não há qualquer outra solução cabível, tampouco deveria ser cogitada outra alternativa. Porém, ninguém fará isso, afinal de contas, educação não gera votos na próxima eleição. Além disso, duvido que qualquer um desses políticos que aí estão seriam eleitos novamente se nosso povo tivesse o mínimo de discernimento. Nossos políticos são “espertos”, não correriam esse risco.

O que nos resta então? Endurecer muito as leis e a fiscalização. Me sinto um pouco triste por propor algo assim, mas na situação em que estamos, não consigo vislumbrar outra alternativa. Senão, corremos o risco de que esta guerra civil na qual nos encontramos atualmente tome proporções irreversíveis num futuro muito próximo.

Não existe fórmula mágica: povo que não investe em educação, investe em presídio. Não há como fugir desta realidade. Já que nossos políticos não querem educação, e nossa população é tão bitolada que não discerne sobre a situação atual, a força bruta se torna a via mais rápida para as coisas não fugirem completamente do controle.

Pois como minha mãe sempre me disse, existem duas formas de aprender uma lição: ou se aprende pelo amor, ou então, se aprende pela dor. O brasileiro, diariamente, dá provas de que "no amor" as coisas não funcionam. Portanto, o choque de realidade é preciso. É preciso sentir a dor para aprender.

Um comentário:

Paulo Viana disse...

A educação escolar, mais a educação de berço, será a unica salvação para o mundo, só que isto leva tempo, uma geração inteira, e nossos problemas, precisão de soluções imediatas, como resolver, eu não sei, mas os acontecimentos no Espirito Santo, que sirvam de sinal de alerta, pois pode ser apenas o começo