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terça-feira, 3 de novembro de 2015

E o fim do racismo?

Mais uma vez, e em pleno século XXI, lemos estarrecidos acerca de repetidos e incessantes casos de racismo. Obviamente, a grande mídia somente expõe os casos ocorridos onde pessoas famosas são vitimadas, mesmo que a imensa maioria dos negros do Brasil sofram calados deste mal, diariamente, e bem longe dos holofotes.
E vendo a repercussão de todos estes casos, principalmente os noticiados nestas últimas semanas, invariavelmente acabo recordando daquele caso do goleiro Aranha. Os iletrados, do alto de seus encéfalos muito evoluídos, dirão que não devemos misturar futebol e clubismo com o racismo. Concordo plenamente, exceto pelo fato que já o fizeram antes, sem que nada fosse dito em contraponto.
Para dar nome aos bois, vou me ater a dois exemplos: aquele que sofreu a injúria, no caso o próprio Aranha, e o "ilustre" jornalista Sério Xavier Filho, que no dia 29/08/2014, publicou um texto intitulado "Não é a primeira vez que a torcida mais racista do Brasil manifesta sua estupidez".
Sobre o goleiro, provavelmente embebido da raiva acumulada durante toda uma vida sofrendo com a discriminação, foi aos jornais e destilou todo o ódio ao povo gaúcho e aos gremistas, dizendo que o nosso povo era mais racista que os demais.
E ao longo destes pouco mais de doze meses, os racistas, ocultados por redes sociais e perfis fakes, demonstram que não só o Rio Grande do Sul é racista, e sim, o povo brasileiro inteiro. É fácil para o "brasileiro cordial" empurrar a faceta racista ao povo que mora no sul do país. É cômodo pensar que somente que descende de imigrantes italianos e alemães, habitantes do calcanhar do país, é que são racistas.
O gaúcho é um povo racista? provavelmente a resposta seja sim. Mas somos tão racistas como aqueles que impõem o uso do elevador de serviço aos negros na Bahia ou em Brasília, ou aqueles que acham que profissão de nordestino é porteiro, como ouvi diversas vezes em São Paulo.
O Aranha foi covardemente agredido, fato. Mas ao invés de usar isso como plataforma para algo maior, que ajudasse a causa contra o racismo a ganhar força, para que transcendesse o futebol, provocando uma discussão muito maior, acabou por promover o ódio contra o povo gaúcho, como se só no sul existissem pessoas imbecis. Apenas para ilustrar de forma clara o que digo, pouco tempo depois do caso ocorrido aqui na Arena, Aranha foi vítima de racismo por parte da torcida do Santos também. Seria até irônico, se não fosse prova da imbecilidade que assola esse país.
Já o "jornalista" (entre aspas mesmo), foi mais longe. Gaúcho, e dito gremista, vomitou em sua página na revista Placar, todo o tipo de generalização acerca da torcida do Grêmio. Torcida mais racista do Brasil, disse ele, dentre tantos outros adjetivos pejorativos que promoviam apenas o ódio, passando longe da proposição de uma discussão profunda sobre um tema grave, como é o racismo. Possivelmente, segundo sua brilhante mente, criar o ódio contra um povo é "menos pior" do que cometer atos de racismo, portanto, é válida sua argumentação.
Não preciso nem dizer que, muito por conta de argumentos como estes proferidos pelo tal jornaleiro, torcedores do Grêmio foram hostilizados e agredidos em estádios país afora, pois a partir daquele momento, nos tornamos “A” torcida racista do futebol tupiniquim. Nos tornamos inimigos públicos número um, aqueles que mereciam sofrer todo o mal, afinal, onde já se viu uma torcida racista em nossos estádios, não é mesmo?
E passados pouco mais de doze meses de tudo isso, sabem o que mudou? Isso mesmo, absolutamente nada. O discurso de ódio contra a torcida do Grêmio não acabou com o racismo. Todos os dias, em todos os lugares do país - e até do mundo -, o racismo está lá, seja através de bananas jogadas no gramado onde um jogador negro tenta driblar o adversário e o preconceito, seja no post de desabafo do atleta do seu time, que perdeu um clássico, o que, convenhamos, é um "ótimo" pretexto para ofendermos alguém em decorrência de sua cor.
O que quero salientar com este post é que o racismo permanece imaculado no Brasil, através de comentários terríveis feitos em fotos de pessoas nas redes sociais e páginas da internet. A discussão sobre o racismo, após tudo o que foi dito, passou a ser levada a sério? Digo, sem nenhum medo de errar, que não mudaram nem um pouco. O racismo está aí, diariamente mostrando a faceta mais podre do ser humano, e nada mudou depois de tudo o que aconteceu.
E para nós torcedores do Grêmio, o que mudou? Bem, pouca coisa, também. Ainda somos hostilizados por algumas torcidas por aí. Nada que nos abale. Porém, o que a mídia não mostra, pois não é de interesse dela mostrar, é que, após o caso Aranha, a torcida do Grêmio iniciou um processo de discussões internas e definições que culminaram no banimento de músicas que poderiam ser interpretadas de forma diversa por alguém. Principalmente, aquelas que faziam alusão aos torcedores do Inter, os chamando de macacos. Vocês leram ou ouviram alguma coisa sobre isso? Aposto que não, pois já fomos marcados "na paleta". A alcunha de "torcida mais racista do país" se tornou nosso sobrenome, e basta que o Grêmio vença algum adversário para que as páginas da internet sejam abarrotadas de comentários chamando os gremistas de racistas e o escambau.
E dia após dia, manchete de jornal após manchete de jornal, a argumentação deste péssimo jornalista é encoberta com novos casos de racismo que ocorrem em TODO O BRASIL, tendo como protagonistas torcedores de diversos clubes. Ele foi seduzido a fazer sensacionalismo barato e colocou o rótulo de racistas em toda a torcida tricolor. Concordemos que, estava caindo de maduro que aproveitadores, sob o pretexto de "lutar contra o preconceito", lançariam mão de manchetes fajutas, sem qualquer compromisso com a realidade, apenas em busca de famigerados cliques em seus sites, ou um minuto ou dois de fama instantânea.
Parafraseando o que disse Fábio Koff na época, se tudo que foi falado e feito contra o clube fossem acabar realmente com o racismo no país, aceitaríamos o rótulo e as punições sem reclamar. Porém, sabemos que apenas nos usaram como bode expiatório de algo bem maior, que ocorre em todo canto desta nação, mas que as pessoas não tem coragem de assumir. Precisavam demonizar alguém para auferir o racismo no Brasil, e conseguiram.
No livro "Somos todos azuis, pretos e brancos", o jornalista Léo Gerchmann tenta desconstruir, mesmo que de maneira solitária, um erro histórico cometido por alguns incautos, que também insistem em chamar o Grêmio de clube racista. Léo comprova, através de pesquisas profundas na história do clube que, diferentemente do que é apregoado por alguns desinformados mundo afora, o primeiro jogador negro a jogar em um clube da capital foi Antunes, no Grêmio. Querem mais? Saibam que nosso hino foi composto por ninguém mais, ninguém menos que Lupcínio Rodrigues, negro, pobre, boêmio e gremista, e sentimos um orgulho danado disto. E você já se perguntou sobre a estrela dourada sobre o escudo do Grêmio em nossa bandeira? Não se trata de nenhuma alusão ao título mundial, e sim, uma homenagem feita pelo Grêmio ao jogador Everaldo Marques da Silva, que foi campeão mundial em 1970. Um atleta negro. Irônico, não acham?
Mas tudo bem. Continuem tergiversando sobre o racismo. Continuem fingindo que só nós, gremistas, é que somos maus neste país. Continuem a esconder a podridão de todos em nosso quintal. Quem sabe, assim, o racismo não acaba, não é mesmo?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Perplexidade...

Este não é um texto de ódio ou raiva. É um texto de resignação com tudo que está acontecendo. É uma tentativa de explicar o inexplicável, compreender o incompreensível.

Confesso, estou um pouco cansado disso tudo. De todo esse circo montado nos últimos tempos, envolvendo o Grêmio, Aranha e a Patrícia. Estou cansado de parte a parte, com as manifestações racistas na Arena - ou em qualquer lugar do planeta -, das colocações do sr. Aranha, chamando o povo do Rio Grande do Sul de racista e sendo raivoso, cansado da imprensa, que em busca dos cliques e de leitores, promove a degradação de pessoas, a banalização de crimes, tornando qualquer discussão séria sobre temas sensíveis, algo raso e vazio.

Eu, enquanto gremista, e indo contra tudo o que está sendo dito, posso afirmar, categoricamente, que as vaias para o sr. Aranha, no jogo de ontem, não tinham qualquer relação com a cor de sua pele, tampouco serviam de apoio às manifestações da Patrícia. Não era disso que se tratava.

Eram vaias para um jogador que, com todo esse clima tenso e pesado no ar, tentou provocar a torcida, caindo a cada contato (ou mesmo sem qualquer contato), simulando fatos que não existiram. Foram vaias para um cara que, desde o ocorrido, não tentou contemporizar em nenhum momento. Destilou toda sua raiva - e xenofobia -, contra o povo do estado "mais racista do país".

O sr. Aranha citou a religião católica para dizer que precisava ouvir um pedido de perdão por parte da Patrícia, pois somente assim, seria capaz de perdoar. Sou ateu, mas mesmo assim, sei que quase todas as religiões do mundo pregam o perdão sem qualquer contrapartida ou pedido. "Ofereça a outra face" são palavras de Jesus, não minhas, e estão muito longe do discurso do jogador neste caso. Como cristão, falou uma imensa bobagem. Como pessoa, também.

Em outra entrevista, ele citou Martin Luther King como uma pessoa a qual ele admirava. Confesso, também admiro o sr. King. Ele lutou pelo que acreditava, "ele tinha um sonho", que por sinal, compartilho. Uma sociedade justa, que não enxerga cor, não enxerga credo. Onde a única distinção possível seria de pessoas boas versus pessoas más. Mas o sr. Aranha, creio, não entendeu o recado de Martin Luther King. Em nenhum momento, em qualquer de seus famosos discursos, as palavras de Luther King eram palavras de ódio. Pelo contrário, sr. Luther King antes de mais nada, pregava amor entre as pessoas, coisa que passa muito longe do que apregoa o goleiro do Santos.

Alguns acusam a mídia - e com razão - de ser peça importante para que o fato ganhasse a dimensão que ganhou. Mas sendo franco: a imprensa é o reflexo da estupidez de nossa sociedade. Se eles falam sobre algo e insistem nisso, é porque do outro lado existem consumidores ávidos por esse tipo de material sensacionalista. É um ciclo infinito de imbecilidade, que em nada contribui para resolver o problema. É a velha máxima de "apagar incêndio com gasolina". Para a imprensa, não é interessante que os problemas sejam resolvidos de maneira serena. Isso não venderia jornal ou renderia cliques em suas páginas e blogs. É preciso criar o caos, pois o caos vende.

As coisas só vão melhorar quando TODOS assumirem sua parcela de responsabilidade nisso. Todos nós somos culpados pelos insultos racistas que Aranha recebeu, assim como, todos somos culpados pela casa incendiada de Patrícia. Se não proferimos xingamentos, ou não acendemos o fósforo, somos responsáveis, aos menos, por carregar a hipocrisia em nossas mentes e ações, seja condenando sumariamente a garota, não lhe dando ao menos os direitos garantidos pela Constituição Federal – o contraditório e a ampla defesa -, seja por achar que o Aranha tem a capacidade de se tornar símbolo de qualquer causa da qual participe. Em ambos os casos, a hipocrisia impera.

 

 

*Observação: Antes que alguém ache que estou desviando o foco, minha opinião é que a tal Patrícia deve sim responder pelo seu ato imbecil e sem sentido em caso condenada (pelo órgão competente), deve cumprir a pena estipulada. Agora, achar que porque sofreu preconceito estás autorizado a agir feito um idiota, com isso não posso concordar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Liberdade de expressão é para quem sabe usar...

Os juristas e políticos envolvidos na revisão Constituição Federal vigente, promulgada através da Assembleia Constituinte de 1988, ainda estavam muito preocupados com a Ditadura Militar, "encerrada" apenas alguns anos antes, em 1985 e, por esse motivo, utilizaram nossa Carta-Magna como instrumento para evitar que novas "revoluções" fossem arquitetadas, atribuindo grande poder ao Estado Democrático de Direito.Um dos itens que mais chama a atenção, está contido no artigo 5°: "IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;". Resumindo, todos temos direito de nos manifestar. Este item foi incluído no texto, possivelmente, por conta de que este Direito nos era cerceado no período ditatorial.Entretanto, logo abaixo, há uma ressalva importante: "V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;". A junção destes dois itens deixa muito claro que qualquer cidadão brasileiro tem o direito de dizer o que pensa, desde que não ultrapasse a linha que configura o limite entre opinião e dano material, moral ou imagem de outrem.Alguns jornalistas hoje bradam enlouquecidamente, que os Srs. Flávio Gomes e Arnaldo Ribeiro, ambos da ESPN, estão sendo injustiçados, que suas declarações devem ser relevadas e tudo esquecido, em nome desta tal "liberdade de expressão" que, afinal de contas, é direito de todos.Bem, não vou perder meu tempo com discussões baseadas no "achismo" ou protecionismo profissional. Trago aqui, única e exclusivamente a letra fria da Lei que, neste sentido, é límpida como água: você pode dizer o que bem entender, desde que seja capaz de arcar com as consequências.O jornalista Arnaldo Ribeiro, acusou o presidente Koff de estar manipulando as arbitragens, enquanto que Flávio Gomes proferiu impropérios contra os gremistas, a Brigada Militar, o povo Gaúcho, seus colegas do canal PFC e, principalmente, contra a Instituição Grêmio.Peço desculpas aos que tem opinião divergente, não é meu intuito debater ponto de vista com vocês, pois minha linha de raciocínio é simples. Constitucionalmente falando, o Grêmio, ou qualquer ente que se sentiu ofendido, pode – e deve - buscar retratação e reparação dos danos. O direito do Presidente Koff em publicar uma nota de retratação foi utilizado de maneira magistral. Sem ofensas, sem acusações. Apenas um posicionamento forte a favor da instituição a qual defende. Os desdobramentos disto, como o pedido de desculpas de Arnaldo e a demissão de Flávio, são consequências de seus atos, única e exclusivamente.Acho preocupante alguns membros defenderem a liberdade de expressão, pura e simplesmente, doa em quem doer. Estes, precisam aprender que, apesar de ser quem são e por atuar no ramo que atuam, sua liberdade não é infinita, ou diferente da liberdade de qualquer outro integrante deste Estado. Sua liberdade esbarra, imediatamente, na liberdade do próximo.A liberdade de expressão deve ser precedida, antes de qualquer coisa, de senso de responsabilidade, ou então, incorreremos no risco perder completamente a credibilidade, além de instigar o ódio e o rancor, sentimentos estes que, cada vez mais, devemos combater e diminuir.Não torço pelo mal de ninguém. Não torci pela demissão e, muito menos, torço para que ambos os jornalistas sofram qualquer outro tipo de sanção por parte de quem quer que seja. Quero sim, na verdade, que as pessoas aprendam a utilizar melhor a liberdade obtida após longos anos de escuridão e medo.Pensem, antes de querer atingir alguém, seja como for, em quanto sangue já foi derramado por pessoas que lutaram para que eu, ou você, possamos expressar o que pensamos livremente.Sou gremista, sempre fui e sempre serei. Mas não podemos, levianamente, achar que se trata apenas de uma questão clubística passional. A discussão passa, neste momento, a sair da esfera do futebol e vai diretamente ao encontro da forma como alguns profissionais atuam em seus veículos de comunicação, ignorando o verdadeiro sentido do que é a liberdade de expressão.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sobre Libertadores. ..

Fiquei em silêncio sobre o tema Libertadores, desde a eliminação do Grêmio. Hoje, vou falar sobre o time, mas também sobre mais umas coisas que me incomodam.
Sobre o Grêmio:
O Grêmio foi eliminado em todos os torneios que disputou. Sintomático, pois não temos brios. Time sem sangue, burocrático e murrinha. Pensei que esse conjunto de jogadores experientes poderiam trazer alegrias que há muitos anos não vivenciamos.
Mas foi contrário. Temos jogadores, mas não temos esquema tático, ou jogadas ensaiadas. Luxemburgo foi aclamado no fim do ano passado - inclusive por mim - pois acreditamos no 'pojeto'. No final, restou assistir times tecnicamente piores passando de fase, enquanto os gremistas recolhem novamente suas esperança.

Libertadores:
Assistindo o jogo do Fluminense, constatei que esse modelo sul-americano de tratar seus torneios não é mais aceitável.
Moedas e pilhas jogadas no campo, glândulas e bolas que insistem em sumir nos momentos-chave do jogo, principalmente quando o mandante está ganhando,  são práticas inconcebíveis atualmente.
Conheço alguns que defendem com unhas e dentes o modelo. Esse tipo de nostalgia me soa mais como uma birra impensada, que, na verdade só estraga o futebol.
A Conmebol é conivente com estes atos e não tenho esperança de que vá mudar algum dia pois, o tal "espírito de Libertadores", está entranhado como um câncer na Cordilheira dos Andes, até mesmo nos rincões mais distantes, onde o mero ato de respirar pode se tornar em uma epopéia única.

Por fim, Atlético é o "Brasil na Libertadores":
Esse discurso é batido e sem qualquer coerência. É esdrúxulo se ver obrigado a torcer por um time só por ele ser brasileiro.
Não torço por nenhum time que não seja o Grêmio, isso é fato. Então porque vou querer mais um time campeão da Libertadores? Quero que o Atlético-MG se exploda, embora, pelo andar da carruagem, algo me diz que esse ano é deles o campeonato.
Time muito bom e com uma sorte imensa. Pinta clara de campeão. Uma pena...
Encerro aqui minhas observações. O último que sair do blog, por f'avor, apague a luz e tranque a porta.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Estádio Olímpico Monumental - O Texto Derradeiro



O dia era 19 de abril, o ano 1994. Ao acordar naquela manhã, mal sabia eu que naquele dia eu ficaria marcado, de maneira irrefutável, para o resto de minha vida. Nesta data adentrei, pela primeira vez, no Estádio Olímipico Monumental, que após àquela vitória de 2 x 0 sobre o Corinthians, pela Copa do Brasil, passei a considerar, por muitos anos, minha segunda casa.

Foram tantos jogos, tantos momentos, alegrias e tristezas que vivi sentado - ou ajoelhado - naquelas arquibancadas de concreto, que não sou capaz de mensurar corretamente. Foram tantas jornadas ao longo destes quase vinte anos. Como dizer adeus, assim?

Parece melodramático demais, sei disso. Mas garanto a vocês que trata-se do mais puro sentimento, que até pode não ser entendido por alguns, mas é tão verdadeiro como aquela sensação boa de chegar em casa, após um longo período de afastamento. É isso que penso cada vez que sinto o cheiro do cachorro-quente e do churrasquinho ali na José de Alencar. Ou o som dos radinhos de dez reais, que insistentemente são vendidos pelos ambulantes, na entrada do Estádio.

Como poderia deixar passar em branco o Bar Olímpico, que vendia cerveja barata e meio gelada? E a Geral, em seu início, ainda dentro do cercadinho? Aquilo parecia coisa de gente doida. Uns três ou quatro malucos que "copiavam" os barrabravas argentinos. E não é que deu certo? Hoje nós é quem somos copiados e invejados. Provamos que não somos argentinos, somos gremistas. Possuimos nosso próprio jeito de torcer, ou seria, "alentar"? Temos trapos, avalanche, banda e um gaudério que passa o tempo todo pendurado com uma bandeira na mão a frente da torcida a entoar cantos, uns mais lindos que outros.

Essas nuances me lembram o lar. Sinto como se eu tivesse sido parido naquele Portão 10. É como se eu tivesse usado o Largo dos Campeões como meu campinho, e os arcos da entrada como goleira, durante minhas brincadeiras de criança. O Olímpico era o quintal de casa, ou vizinhança, daquelas onde todo mundo se conhece.

Sempre que vou aos jogos, seja de T6, seja embarcando no ônibus "Futebol", ali ao lado do Mercado Público, de carro ou a pé, sou tomado de um sentimento similar ao de estar voltando para casa. Encontrarei meus irmãos e irmãs, e todos juntos, cantaremos as músicas da família, vibraremos com nossos feitos, e choraremos com nossas derrotas, sempre em família, sempre na nossa casa.

Confesso que ainda não consegui me acostumar com a idéia de que, passado o GRE-nal, da próxima vez que eu pegar minha camiseta listrada para torcer pelo meu time do coração, não passarei mais pela João Pessoa, cheia de gremistas caminhando, alguns de bandeira na mão, em direção ao Monumental.

Vamos sair de nossa casa. Vamos nos mudar para uma nova casa, muito mais bonita e cheia de recursos, que a antiga não dispunha. Mas convenhamos, deixar o lugar onde temos as melhores lembranças de nossas vidas de torcedor não é nada fácil. Nunca é fácil partir.

Não faço idéia do que se passará na minha mente quando eu caminhar pela última vez na Carlos Barbosa, quando eu passar pela frente do suplementar, ou ainda, quando chegar na mureta e pendurar minha bandeira pela última vez. Não sei como agirei ao sair do Monumental, em direção ao Largo dos Campeões, junto com a multidão de gremistas que, assim como eu, não poderão mais voltar ao seu verdadeiro lar.

Já tenho a certeza de que o vazio no peito, deixado por nossa antiga e querida casa, está delimitado, e jamais será preenchido por nada. Olímpico, deixará esta vida, com a certeza de ter cumprido seu papel glorioso, e entrará para história da nação gremista, como nosso lar, cheio de alegrias e momentos felizes. Será, eternamente, a casa dos gremistas.

Adeus Estádio Olímpico Monumental! Grêmio, nada pode ser maior!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Grêmio, eliminação, Luxembrugo, e mais outras coisas que me incomodam...

Buenas, como sempre gosto de tomar partido em qualquer 'peleia', vou dar minha opinião sobre a desclassificação do Grêmio da Sulamiranda, sobre Luxemburgo, Dirigentes e o que mais me vier a cabeça.

Bem, vejamos o primeiro tópico: "Desclassificação" - o juiz nos roubou, mas jogamos de maneira covarde. Apenas um atacante, contra um time que 'chora' de ruim, cujo o atacante de referência é o Rentería do cachimbo nas cuecas, é pedir para perder vergonhosamente, como foi o caso. Entretanto, diferentemente de alguns, eu coloco a eliminação nas paletas do juiz sim, afinal de contas, se ele marcasse os dois pênaltis a favor, e deixasse de marcar o pênalti inexistente contra, ou se tivesse expulsado o jogador que deu um soco na nuca do Zé, a história seria outra. O Grêmio não jogou nada, mas o apito amigo foi implacável!

Isso abre o precedente para o segundo tópico: zero de força política - o Grêmio foi garfado em diversos momentos nos campeonatos que disputou. Não digo que houve uma conspiração contra o time, não se trata disso. Só não consigo admitir que um juiz que ferra o Grêmio em uma rodada, tenha sido indicado para apitar outros 5 jogos no mesmo campeonato (cito Heber Roberto Lopes, por exemplo). Se o cara fez merda contra nós, faltou uma direção mais 'culhuda' para bater na porta da CBF e colocar o dedo na cara da Comissão que escolhe os árbitros, para exigir que o safado nunca mais apitasse nem jogo de 'futebol de botão' onde o Grêmio fosse um dos times.

Estamos sofrendo deste enfraquecimento político já faz algum tempo. Será que temos o rabo preso, e por isso não levantamos a voz, mesmo quando somos visivelmente prejudicados? Não sei, mas que isso precisa mudar, ah se precisa!

Me mantendo ainda na "Dirigência", não posso me abster de comentar sobre o processo político gremista. Foi uma das coisas mais bisonhas que já tive o desprazer de assistir! O tal debate entre candidatos na TVCOM, ou a briga entre os correligionários do Koff e os Odonistas no pátio do Olímpico, são fatos vergonhosos! Me fazem pensar que o Grêmio tem 'dono', ou no caso "Os Donos"! Uma chinelagem nunca antes vista.

E por mais que digam que estas disputas não influenciam o futebol, é impossível não pensar que todo esse furdunço chegou sim aos ouvidos dos jogadores, que provavelmente, mesmo que de maneira inconsciente, racionalizaram sobre como os desdobramentos da eleição poderiam atingi-los. E quem ficaria inerte com isso? Despreocupado? Acredito que ninguém.

Espero que isso sirva de lição para esses senhores, pois que nunca mais tenhamos um processo eleitoral tão prejudicial à instituição, como este que ocorreu. Espero que eles lembrem que eles não são o Grêmio. O Grêmio é sua torcida, da qual eles apenas fazem parte. Não tentem ser maiores que o clube, pois nunca o serão!

Continuando, quero falar sobre essa lenga-lenga envolvendo 'pofexô' Luxa. Tenho ouvido muitas notícias de fontes seguras ligadas a nova direção, dizendo 'n' coisas a esse respeito. Se sou o presidente Koff, descubro quem são essas fontes e os atiro para fora do estádio Olímpico. Não são gremistas esses que ficam reverberando bobagens, sendo informantezinhos de jornalistas pernósticos. A imprensa gaúcha já merece toda a nossa desconfiança, por conta de suas 'barrigadas' clássicas (Cuca no Grêmio, Tolói confirmado no Inter, só para citar duas deste ano). Ainda por cima, temos que cuidar com o 'inimigo na trincheira', que fornece munição ao nosso inimígo, e que será usada contra nós mesmos? Daí é sacanagem! Precisamos banir essas raposas em pele de cordeiro de nossas fileiras clubísticas. Não são gremistas, são aproveitadores e espertalhões. Que sejam banidos!

E sabem o que culminou toda essa 'informação' vazada para a imprensa? A desconfiança do Luxemburgo. Certamente, antes de toda essa novela, ele ficaria no Grêmio de olhos vendados. Temos projeto ambicioso, temos jogadores no elenco e perspectivas de novas contratações. Temos a Arena, um Centro de Treinamento moderno, Paulo Paixão, uma das torcidas mais fabulosas do mundo. Quem não iria querer isso?

O Luxa queria, até descobrir que tem pessoas querendo vê-lo pelas costas. Pessoas que estão torcendo por sua queda, o que, consequentemente, passa pela queda do Grêmio. O professor viu todo esse lado negativo e não gostou. Trairagem, amigos, é coisa que ninguém gosta. Portanto determino, sem titubear nem mesmo por um instante, que se o professor Luxa sair do Grêmio ao final da temporada, será por culpa destes ditos "gremistas", mas que de gremismo, só ostentam seus joguetes políticos, utilizados apenas para a autopromoção. Hipócritas que usam nosso clube ao seu bel prazer, sem preocupar-se com nossa história, com nossos títulos, com nossa torcida. Víboras é o que são.

Para finalizar, quero avisar que estou planejando um texto sobre a despedida de nossa querida casa, a qual deixaremos no final de 2012. Fiquem ligados!

Um último detalhe: Se não concordares comigo, tudo bem. Agora, se faltares com o respeito comigo, ou com minha inteligência, prefiro que nem se manifeste, pois sua opinião será descartada imediatamente.

domingo, 1 de maio de 2011

Mais uma derrota do Grêmio. Não quero ter que me acostumar com isso. Precisamos de ações fortes da diretoria. Precisamos de jogadores, sob pena de passar o brasileirão lutando para não cair. O Renato não tem o que fazer com esse time. Vamos quarta-feira, para um jogo em que precisamos tirar um coelho da cartola, sem nem ao menos ter a delegação completa para levar. Faltam jogadores. Falta qualidade na maioria destes que estão jogando. A direção precisa tomar providências, pois do jeito que está não dá!

Só mais uma coisa: tem que mandar prender o tal Siegman, dirigente do Inter, que desde antes do final do jogo já encheu os microfones de baboseiras e sândices. Um cara como esse deveria ser banido do futebol.
Disse que o juiz roubou do Inter pela escolha do lado para as cobranças. Ele não sabe nada sobre a regra e menos ainda tem noções de bom senso.
O gol do timeco dele foi feito depois de uma falta no zagueiro Rodolfo. Além disso, apitou até espirro a favor do Inter, e o pior, não marcou dois toques de mão de jogadores do Inter na área. Penaltis claros que o "gremista" do juiz não deu. Sério, o cara lá precisa de uma camisa de força, perdeu completamente a noção da realidade.
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domingo, 17 de abril de 2011

E o Grêmio hein?

Alguém sabe onde o Grêmio esqueceu o futebol sensacional do ano passado, após a chegada do Renato?
Eu não consigo entender o que aconteceu com esse time. Se classificou para a libertadores jogando um futebol bonito, bem jogado, e ao mesmo objetivo e focado em resultado.
Esse ano, mesmo ganhando o primeiro turno e se classificando para a próxima fase da libertadores, não há jeito desse time jogar bem.
Passes errados em demasia, principalmente no meio campo, falhas sistemáticas da defesa, um ataque ineficiente desde a saída de Jonas, e quem diria, atuações duvidáveis do nosso maior ídolo, Victor.
É preciso identificar onde estão os problemas de forma rápida, pois a próxima fase está aí, e continuando desse jeito, o Grêmio irá fracassar logo.
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